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Inclusão
Social com Excelência
Tomamos
por consenso, nesta interlocução com a comunidade da UFMG,
que um sentido fundamental que define esta instituição é
sua vocação e seu compromisso com a excelência acadêmica.
Assumimos, também amplamente aceito por essa comunidade, que esta
universidade deva se reconhecer enquanto mecanismo de inclusão
social, contribuindo para delinear um horizonte de igualdade para este
Brasil hoje tão desigual.
Fazer valer ambas as inclinações no âmbito das ações
concretas, sem prejuízo de uma ou de outra, não é
tarefa trivial, dada a aparente contradição entre as mesmas.
Um julgamento superficial poderia entender que, se se tomam medidas em
favor da inclusão, necessariamente se compromete a excelência,
e vice-versa. Por outro lado, não parece descabido que medidas
mal formuladas possam de fato comprometer a excelência, até
mesmo sem produzir os desejados efeitos de inclusão. Tal
tarefa requer, portanto, formulações precisas e, acima de
tudo, uma confiança profunda no princípio ativo instaurador
da ciência: o escrutínio da realidade mediado pela razão;
com a admissão de que conceitos prévios possam ser colocados
em questão pela observação a comandar sua corroboração
ou refutação.
Hoje, há propostas de ações de inclusão social
de diferentes matizes, orientações e fundamentos. Tais propostas
passam pelo aumento da proporção de vagas nos cursos noturnos,
reforço dos programas de assistência estudantil, e incluem
propostas de diferentes modelos de reserva de “quotas” no
vestibular, de fundo sócio-econômico e/ou étnico.
A polêmica em relação a tais propostas inclui dúvidas
quanto à sua eficácia, conjecturas quanto a possíveis
efeitos colaterais perversos, discordâncias quanto ao significado
de dados e experiências preliminares, dentre outras.
A honestidade intelectual no trato com as questões do mundo exige
que a universidade recorra aos seus métodos característicos
para dirimir dúvidas: é preciso experimentar. Experimentar
racionalmente, sob a guia dos elementos já disponíveis,
acumulados em alguns anos de coleta sistemática de dados empíricos:
a UFMG hoje dispõe de séries estatísticas que descrevem
o perfil sócio-econômico e étnico dos ingressantes
no vestibular ao longo de vários anos. Parece claro que os diferentes
cursos da UFMG abrigam realidades muito diferentes, no que diz respeito
ao perfil de seus ocupantes, assim como no que diz respeito ao destino
social de seus egressos. Medidas homogêneas para universo tão
heterogêneo teriam grande chance de falhar no geral, acertando pouco
no particular.
Nós propomos que se inicie um processo de experimentação,
com fundamento em iniciativas locais e com foco nas respectivas realidades
locais: que cada curso, por adesão voluntária, proponha
seu projeto de inclusão, composto pelos mecanismos que considerar
adequados, tendo em vista seu público, e partindo das premissas
que achar pertinente. Necessariamente, cada projeto deve explicitar os
efeitos esperados, e as formas de acompanhamento de seu desdobramento.
Pensamos que, após alguns anos, teremos respostas para muitas das
perguntas que são hoje irrespondíveis, sob o ponto de vista
científico. E esperamos que tenhamos, então, novas perguntas,
já numa circunstância de uma universidade que poderá
enxergar a inclusão como alavanca para a excelência.
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