ELEIÇÕES
PARA REITOR E VICE-REITOR
Gestão 2006 - 2010
CHAPA 02


 

 

 

 
Inclusão Social com Excelência

Tomamos por consenso, nesta interlocução com a comunidade da UFMG, que um sentido fundamental que define esta instituição é sua vocação e seu compromisso com a excelência acadêmica. Assumimos, também amplamente aceito por essa comunidade, que esta universidade deva se reconhecer enquanto mecanismo de inclusão social, contribuindo para delinear um horizonte de igualdade para este Brasil hoje tão desigual.


Fazer valer ambas as inclinações no âmbito das ações concretas, sem prejuízo de uma ou de outra, não é tarefa trivial, dada a aparente contradição entre as mesmas. Um julgamento superficial poderia entender que, se se tomam medidas em favor da inclusão, necessariamente se compromete a excelência, e vice-versa. Por outro lado, não parece descabido que medidas mal formuladas possam de fato comprometer a excelência, até mesmo sem produzir os desejados efeitos de inclusão.
Tal tarefa requer, portanto, formulações precisas e, acima de tudo, uma confiança profunda no princípio ativo instaurador da ciência: o escrutínio da realidade mediado pela razão; com a admissão de que conceitos prévios possam ser colocados em questão pela observação a comandar sua corroboração ou refutação.


Hoje, há propostas de ações de inclusão social de diferentes matizes, orientações e fundamentos. Tais propostas passam pelo aumento da proporção de vagas nos cursos noturnos, reforço dos programas de assistência estudantil, e incluem propostas de diferentes modelos de reserva de “quotas” no vestibular, de fundo sócio-econômico e/ou étnico. A polêmica em relação a tais propostas inclui dúvidas quanto à sua eficácia, conjecturas quanto a possíveis efeitos colaterais perversos, discordâncias quanto ao significado de dados e experiências preliminares, dentre outras.
A honestidade intelectual no trato com as questões do mundo exige que a universidade recorra aos seus métodos característicos para dirimir dúvidas: é preciso experimentar. Experimentar racionalmente, sob a guia dos elementos já disponíveis, acumulados em alguns anos de coleta sistemática de dados empíricos: a UFMG hoje dispõe de séries estatísticas que descrevem o perfil sócio-econômico e étnico dos ingressantes no vestibular ao longo de vários anos. Parece claro que os diferentes cursos da UFMG abrigam realidades muito diferentes, no que diz respeito ao perfil de seus ocupantes, assim como no que diz respeito ao destino social de seus egressos. Medidas homogêneas para universo tão heterogêneo teriam grande chance de falhar no geral, acertando pouco no particular.


Nós propomos que se inicie um processo de experimentação, com fundamento em iniciativas locais e com foco nas respectivas realidades locais: que cada curso, por adesão voluntária, proponha seu projeto de inclusão, composto pelos mecanismos que considerar adequados, tendo em vista seu público, e partindo das premissas que achar pertinente. Necessariamente, cada projeto deve explicitar os efeitos esperados, e as formas de acompanhamento de seu desdobramento. Pensamos que, após alguns anos, teremos respostas para muitas das perguntas que são hoje irrespondíveis, sob o ponto de vista científico. E esperamos que tenhamos, então, novas perguntas, já numa circunstância de uma universidade que poderá enxergar a inclusão como alavanca para a excelência.

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