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Ensino
de Graduação
No
Brasil, o ensino de graduação é a face mais visível
da interação universidade e sociedade e a atividade que
envolve o trabalho da grande maioria da comunidade acadêmica. Talvez
por isso, seja essa a atividade que mais lentamente se adapta a novas
realidades; a que mais se regula por normas estritas e, sobretudo, por
interpretações restritivas dessas normas. Certamente, a
UFMG se destaca pela excelência de sua graduação,
mas essa seja talvez a área que mais possa se beneficiar dos eixos
de nossa proposta para a Reitoria: interesse público, diferença
e experimentação.
O interesse público requer, em primeiro lugar, que a UFMG cumpra
o papel social que todas as sociedades esperam de suas universidades:
oferecer ensino de excelência e continuamente aprimorar essa qualidade.
Comprometê-la, é renunciar ao seu papel social. Mas, para
uma Universidade que se deseja republicana, inserida em seu tempo e espaço,
manter a excelência é condição necessária,
mas não suficiente. É preciso também estender essa
excelência a uma população estudantil mais numerosa
e diversa. Sabe-se que o diploma de nível superior constitui hoje,
o mais importante mecanismo de ascensão social. Neste sentido,
é papel da UFMG se preocupar, tanto com a democratização
do acesso aos seus cursos, quanto viabilizar a permanência dos estudantes
que neles ingressarem.
O eixo da diferença requer que a própria formação
do estudante, bem como os procedimentos acadêmicos, sejam assim
concebidos. Os projetos pedagógicos dos cursos devem contemplar
a diversidade dentro de limites que garantam sua identidade própria.
Observamos que a diversidade não pode comprometer a identidade
e deve estar voltada para a formação de excelência
do estudante. A identidade, por sua vez, não pode ser empecilho
para a diversidade. A flexibilização curricular é
um dos instrumentos para se alcançar a multiplicidade de diferentes
perfis profissionais, e deve avançar na prática, não
se guiando por fórmulas pré-determinadas do que é
ser flexível. Os profissionais egressos dos cursos da UFMG devem,
cada vez mais, estar preparados para atuar como agentes de mudança
numa sociedade cada vez mais complexa e dinâmica. Portanto, é
fundamental que os currículos possuam mecanismos que por um lado,
captem esta crescente diferenciação de necessidades e, por
outro lado, se adaptem para contemplá-la.
O caminho da diferença – e também o da experimentação
– requer que sejam revistos regulamentos universitários.
Mas, isso não é o que mais nos limita em relação
aos procedimentos acadêmicos. Os maiores entraves decorrem de interpretações
restritivas desses regulamentos, contrárias aos interesses pedagógicos.
É necessária a desconstrução burocrática
de procedimentos acadêmicos, com descentralização
de práticas, apoiando-se os colegiados para o exercício
de competências a eles atribuídas pelo Estatuto, mas que
freqüentemente são exercidas em outras esferas.
A experimentação e a diferença nos sugerem a perspectiva
de exercitar práticas diversificadas, adequadas a cada espaço
específico, que podem, inclusive, ser implantadas propositadamente
com caráter transitório. As medidas para inclusão
social, por exemplo, não necessitam ser as mesmas para todas as
áreas. As atividades acadêmicas já existentes na universidade
podem ser também organizadas em mosaicos diferentes, originando
cursos novos, não ancorados em profissões já existentes,
que podem tanto ser oferecidos como uma das opções do vestibular,
quanto disponibilizados como opção de formação
para alunos vinculados aos cursos oferecidos no vestibular.
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