Universidades são
instituições complexas. Às suas funções
tradicionais de formação, de pesquisa e de extensão,
novas frentes de atuação vêm se impondo. Fazem-se
necessárias a defesa corajosa das instituições
públicas de ensino superior e a busca sempre reiterada da excelência;
a aproximação conseqüente com o seu entorno imediato
e a inserção internacional; a adoção de
políticas ágeis de construção e transferência
de tecnologia de base física e social e a constituição
de núcleos acadêmicos mais ágeis e flexíveis;
a busca de mecanismos continuados de inclusão e o estabelecimento
de parcerias com os diversos setores sociais. É preciso aprofundar
a democracia nas estruturas internas e os esforços para tornar
mais participativos os segmentos que integram a comunidade universitária.
A reforma universitária, cuja discussão prossegue, constitui
uma oportunidade de ampliação da autonomia, mantendo salvaguardas
nos aspectos de natureza acadêmica, financeira e administrativa.
É urgente equacionar a carreira docente e técnico-administrativa,
na interlocução com as instâncias governamentais
adequadas. No âmbito interno, a valorização dos
recursos humanos, através de políticas de médio
e longo prazo, são imprescindíveis para a coesão
institucional. Nesse cenário, um novo desenho se anuncia. Universidades
públicas federais, como a UFMG, são ainda mais oneradas
pelos desafios decorrentes das relações com instâncias
governamentais, cuja indiferença para com o ensino superior público
é notória.
Na medida em que as sociedades contemporâneas estruturam-se em
torno da capacidade de posse e circulação dos bens de
conhecimento, novas interrogações se apresentam às
instituições universitárias. De um lado, cresce
a consciência de que universidades desenvolvidas e multifacetadas
constituem requisito para a construção do Brasil internamente
justo e internacionalmente soberano com que sonhamos. Por outro lado,
percebe-se que medidas que garantam um acesso generalizado ao conhecimento
são, hoje, condições insubstituíveis de
cidadania.
Ao contrário de tantas vozes que defendem, ancoradas ora na ingenuidade,
ora no cinismo, o esvaziamento do ensino público superior no
país, reafirmamos nossa confiança no vigor da universidade.
Com a coragem tantas vezes manifestada ao longo de sua história
por seus professores, funcionários e estudantes, sua identidade
se mantém mesmo diante dos novos problemas postos pelo tempo
presente. Ao propor a nossa candidatura aos cargos de reitor e vice-reitora
da UFMG, amparados nos vários setores que nos têm estimulado,
estamos certos de que somente o compromisso com valores e ideais pautados
simultaneamente na compreensão das dificuldades presentes e na
esperança fundada na utopia permitirá, mais uma vez, que
esta universidade seja transformada e fortalecida.
Entendemos a universidade como pólo irradiador de um ideal de
civilização. Frente a tudo o que impede um desenvolvimento
humano mais pleno, aqui se reafirma o direito ao conhecimento, a resistência
ao autoritarismo e à exclusão, a confiança na experiência
humana, a ancoragem no presente e a sensibilidade para com os futuros
que a utopia permite divisar. Desse ideal decorrem os três princípios
que orientam a proposta de reitorado que ora apresentamos ao debate
da comunidade universitária: o primado do interesse
público, o respeito
à diferença e a ênfase na experimentação.
A adesão a esses princípios assenta-se em nossa vivência
da universidade, na compreensão de sua complexidade e de seu
potencial transformador e nas tarefas que, a nosso entender, muito justamente
a sociedade dela espera.
A crise e os desafios hoje presentes no horizonte da universidade pública
brasileira, e em especial das instituições federais de
ensino superior, não serão enfrentados sem uma correta
compreensão de suas dimensões e de ações
determinadas na direção de seu equacionamento. Diagnósticos
apressados e propostas simplificadoras serão de pouca ajuda e,
como ocorre nesses casos, estarão colaborando para o agravamento
dos problemas.
Os três princípios que pautam o nosso programa, o primado
do interesse público, o respeito à diferença e
a ênfase na experimentação são os instrumentos
indutores das políticas acadêmico-administrativas que consideramos
adequados para que a universidade continue a representar, em qualquer
tempo e circunstância, o papel eficaz e utópico, humanizador
e libertário, que sempre marcou sua história. É
com a consciência desses desafios que apresentamos nossas propostas.
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